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Aprendizagem Ativa: 3 exemplos comentados da técnica "Momento de Reflexão"

A técnica Momento de Reflexão (Pause for Reflexion) é a mais simples de todas as Metodologias Ativas. Entretanto, não pode ser aplicada sem uma estrutura que garanta o resultado esperado, vejo isso no primeiro exemplo. Nos exemplos seguintes, a inclusão de outros elementos melhora a performance dessa técnica, incluindo a gamificação.



Antes de tudo, é importante notar que apesar de simples de aplicar, se for mal feita, poderá ser um grande erro que devemos evitar como professores. O erro consiste em pedir um voluntário para responder algo. Quando isso é feito, o natural é que os alunos dispersem do assunto seguindo o raciocínio de que alguém eventualmente irá responder a questão. Essa dispersão pode até não ser a de atenção com o que está acontecendo na sala, mas, sem dúvida, será alguma emoção sobre o pedido do voluntário (medo, ansiedade ou qualquer outra). O aluno sente que se for o escolhido como voluntário (sic), mostrará que entendeu ou não, e isso não importa nada, porque não muda nada para ele.

A ideia de pedir um voluntário não apresenta uma evidência científica de que tem alguma vantagem para o aprendizado; consiste em um expediente usado em aula, mas sem fundamento didático. (BRIGGS, 2014)

O Momento de Reflexão pode ser muito mais produtivo do ponto de vista da aprendizagem dos aluno. Veja isso nos exemplos.

Exemplo 1: Momento de Reflexão tradicional

O professor identifica que um determinado aspecto ou conceito é fundamental para o bom aproveitamento da disciplina e faz uma pausa na aula para que os alunos possam refletir sobre o novo conceito e perguntar sobre dúvidas.

Há quem sugere que seja repetido a cada 12 a 18 minutos da aula. Minha opinião é que isso seria terrível porque é uma dinâmica de aula muito repetitiva.

O Momento de Reflexão tradicional visto pela Universidade da Califórnia, Davis

A Universidade da Califórnia, Davis (UC Davis) sugere que os alunos pensem sobre as informações e/ou revejam suas anotações para identificar lacunas na compreensão (ou seja, informações que podem não ser claras para eles) ou maneiras pelas quais o conceito, ideia ou ponto pode ser aplicado a um cenário do mundo real.

Entretanto, não posso deixar de comentar que essa é uma forma de conduzir a turma de uma forma um pouco confiante demais de que eles farão essa tarefa. Como veremos no próximo exemplo, a falta de uma estrutura permite que o aluno fique livre para fazer qualquer outra coisa e, justamente nessa hora, precisaríamos que ele dedicasse sua atenção e seu raciocínio para acomodar o novo conceito.

Nesse tipo simples de metodologias ativas, a inclusão de uma pergunta de verificação é sugerida por muitos adeptos. Embora isso seja interessante, a forma de fazer essa pergunta deve seguir o raciocínio que o aprendizado aconteça o aluno deve percorrer algum caminho que mostre a utilidade do que foi apresentado para ele. Se for possível, use uma pergunta que leve o aluno a pensar na utilização.

Se isso não é possível, algumas vezes eu usei frases que envolviam alguma emoção. Esse uso da emoção como gatilho para a finalidade de ensino é bom porque contribui decisivamente para a retenção do que foi aprendido.

Isso pode ser feito por exemplo com uma quebra de retórica. A retórica é o fluxo da aula e da sua exposição até aquele momento. Então, de repente, você começa a explicar como se frita um ovo, sem mudar o tom da voz, nem a velocidade. O resultado esperado é que a classe se manifeste. Normalmente um aluno aponta que o professor pirou, ou que ele esqueceu sobre o que estava dando a aula. A propósito, depois que ganhei cabelos brancos essa última alegação ficou mais constante, não sei porque. Essa inesperada mudança de assunto cria um desconforto, lógico, e então está aberto o momento exato para pedir a atenção para um momento de reflexão. A sala já ficou em um estado diferente de atenção, que antes era sobre sua explicação. E, você não teve trabalho para trazer a atenção, eles fizeram isso por você.

Outra forma de promover esse momento de reflexão é pelo desafio. Reveja o conceito que está ensinando e procure alguma aplicação possível e desafie os alunos a, também, encontra uma aplicação real. Se isso é possível para o conceito, o desafio pode ir além e assumir algum caráter de gamificação, gerando algum ponto.

Exemplo 2: Momento de Reflexão baseado em Kolb

Para compreender essa forma de conduzir essa atividade é preciso rever o que o círculo de aprendizagem de Kolb sugere. Você pode ver um resumo em vídeo de 2 minutos nesse link.

Kolb desenvolveu o que se chama de Teoria da Reflexão e concretizou isso no seu Círculo de Aprendizagem Vivencial. Assim, parece muito natural que isso deveria ser aplicado para uma atividade que é fundamentada na própria Reflexão.


Uma atividade baseada em Kolb segue o seguinte roteiro, em passos:

  1. Apresente e explique o conceito importante

  2. Peça aos alunos que façam uma aplicação (explico adiante)

  3. Apresente o resultado da aplicação

  4. Peça que revejam o motivo de terem acertado ou errado

  5. Peça que corrijam sua solução

  6. Não peça para entregarem nada.

  7. Mostre a solução para o que foi pedido.

A aplicação (passo 2) pode ser resolver um exercício, responder uma questão, ou qualquer forma em que se utilize o conceito ensinado.

Observe que no círculo de Kolb, a entrada do círculo é o seu conceito. Entretanto, no final, em vez de você promover a repetição do ciclo, fazemos um desvio para uma nova etapa, que é o feedback para os alunos. Você pode explicar melhor o conceito, mas de forma resumida, resolver o problema ou mostrar como o conceito foi aplicado.

Não faríamos uma nova proposta para aplicação em seguida porque a ideia seria de ter apenas um momento de reflexão e não uma atividade com várias rodadas.

E, não pedimos que nada seja entregue porque o objetivo não é o de obter material preenchido.

Exemplo 3: Momento de Reflexão baseado em Dewey


Dewey explicou que a reflexão é fortalecida quando é compartilhada com outras pessoas. Por causa disso usei esse exemplo em que eu procurei provocar que os alunos explicassem entre si o conceito que havia acabado de transmitir. Sendo assim, entre as várias técnicas de metodologias ativas, a Revisão por Pares (Peer Review) parece interessante.

A técnica de momento de reflexão é um processo que normalmente se espera que seja feito sozinho. Entretanto, sabemos da força didática que conseguimos no aprendizado quando pedimos a interação entre os alunos.

Assim, no meu caso real, pedi aos alunos que imaginassem como seria possível usar o cálculo de raízes da equação do segundo grau para prever aonde ia cair uma bala de canhão. (era aula de matemática e o ponto era o cálculo disso). Uma informação adicional que servia para deixar o desafio mais interessante é que a Terra é redonda, então se o eixo X for a superfície, o que aconteceria com a equação. A turma de adolescentes reagiu automaticamente ao perceber que talvez a equação não funcionasse. Deixei que pensassem individualmente (notei que mesmo assim eles já interagiam entre si) e escrevessem suas respostas. Em vez de pedir que entregassem suas respostas, pedi em pares cada um convença um outro sobre sua resposta e que ambos chegassem a uma resposta. Note que com essa segunda etapa em que um explica para o outro sua ideia de resposta eles estão somando 3 acessos a essa informação do conceito que você ensinou.

Em seguida, eles recebem a sua resposta e confrontam com suas respostas (quarto acesso). Redigem suas respostas finais (mas não pedimos que entreguem).

Marquei que foram quatro acessos ao conceito em uma única rodada vivencial. Isso reforça o conhecimento adquirido.


Conclusão


Desde o momento em que a Aprendizagem Ativa passa a ser uma vontade do professor, essa técnica é muito fácil de aplicar no seu modo tradicional. Os exemplos foram apresentados para que você possa aplicar mais de uma vez e conforme sentir segurança na aplicação dessa técnica, sugiro conhecer o Minute Paper.


Referências

Bonwell, C. C.; Eison, J.A. . Active learning: creating excitement in the classroom. ASH#-ERIC Higher Education Report No. 1, Washington, D.C.: The George Washington University, School of Education and Human Development. (1991) disponível em https://files.eric.ed.gov/fulltext/ED340272.pdf


Brigs, S. 11 Major Teaching Mistakes to Avoid (2014) disponível em https://www.opencolleges.edu.au/informed/features/11-major-teaching-blunders-to-avoid/


Kolb, D.A..Experiential learning: experience as the source of learning and development. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice-Hall. (1984) disponível em https://www.researchgate.net/publication/235701029_Experiential_Learning_Experience_As_The_Source_Of_Learning_And_Development


Rowe, M.B. . Pausing principles and their effects on reasoning in science. In Teaching the Sciences, edited by F. B. Brawer. New Directions for Community Colleges No. 31. San Francisco: Jossey-Bass. (1980) disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/cc.36819803106



Ruhl, K., Hughes, C.A., and Schloss, P.J. Using the Pause Procedure to enhance lecture rcall. Teacher Education and Special Education 10, 14-18. (1987) disponível em https://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.907.9944&rep=rep1&type=pdf






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