Aprendizagem Ativa e o Mito do Cone de Aprendizagem

Atualizado: 12 de set. de 2020

É incrível constatar que uma parte da Teoria da Aprendizagem Ativa (Active Learning Theory) cite incorretamente, como fundamento, distorções a respeito de trabalhos sérios. Mas, isso acontece. Não são poucos os blogs afirmando que a base da pirâmide da aprendizagem representa um alto percentual de retenção de conhecimento sem antes ter lido o texto original. Nesse texto iremos apresentar o verdadeiro cone da aprendizagem e explicar porque é base sólida para fundamentar a aprendizagem ativa e, também, mostrar o que é falso no cone divulgado pela imprensa jornalística.

Ao afirmar que o cone é "fake", é preciso compreender que o Design Instrucional não considera incorreta as afirmações dos autores que produzem conhecimento que está por trás da ciência, apenas serve para entender o que está errado nessa imagem muito conhecida.

 

É importante dizer que quando essa pirâmide é apresentada, normalmente sua criação é atribuída a Dale, em 1969, na terceira edição de um livro que foi publicado originalmente em 1946 (1), portanto seria de se pressupor que o seu embasamento é anterior à data normalmente citada. A primeira edição teve várias reimpressões, sendo que a primeira impressão é relativamente rara e as seguintes são encontradas como livros usados, principalmente as produzidas nos Estados Unidos. Portanto, as citações estão incorretas (inicialmente) pelo ano e (mais adiante) por percentuais que não foram criados ou confirmados pelo autor.

 

O início da preocupação com retenção do conhecimento na educação


A citação mais antiga em um artigo em periódico científico sobre a preocupação com a retenção do conhecimento encontrada vem de 1913, quando em um ensaio sobre o Método Montessori, Frances Haskel declara que "lembramos 2 em 10 do que ouvimos, 5 em 10 do que vemos, 7 em 10 do que tocamos, 9 em 10 do que fazemos." (HASKELL, 1913, p. 638)

Mas, se existe essa afirmação sobre o quanto retemos a partir do que fazemos em um ensaio, porque essa afirmação não pode ser tomada como ciência? Pelo simples fato de que é um ensaio - um texto de comentário sobre algum assunto científico. Não há nenhuma pesquisa anterior que tenha feito coleta de dados estatisticamente válida, submetida a outros cientistas de renome para uma revisão, que tenha resultado em uma publicação como um artigo científico. Portanto, embora seja a publicação mais antiga encontrada em um periódico científico, não é ciência - é pura argumentação. Vale observar que nesse mesmo texto original, um pouco antes dessa afirmação, ao elogiar a Dra. Montessori, o autor comenta que ela fez um brilhante trabalho de criar uma abordagem didática universal, apesar das diferenças entre as crianças da Itália "serem inferiores às crianças norte-americanas por muitas razões. Elas são anêmicas, por causa do clima, alimentação fraca, e não têm iniciativa, tendo sido submetidas por gerações a opressão militar. As crianças norte-americanas têm muita energia, porque ainda vivemos próximos aos nossos ancestrais pioneiros, temos mais índole para o trabalho e ação." (HASKELL, 1913, p. 638). Ao fazer essa afirmação, sem dúvida uma exposição de opinião pessoal, não há dúvida mesmo de que trata-se de um artigo de opinião e não de um artigo científico, mesmo para os padrões da época.

É digno de nota que ele cita, no Método Montessori, a postura do professor observando o comportamento da classe com uma visão menos tradicional para a época, ou