Como transformar seu mestrado ou doutorado em patente ou registro de software

Não é fácil tomar essa decisão durante a sua pesquisa que irá premiá-lo com o título de mestre ou doutor. Afinal, a falta de tempo, insegurança, trabalho cansativo de leituras, redação, compilação de dados, pesquisa de campo, e tudo o mais que vai resultar no seu título irá realmente consumir todas suas energias e tempo. Mas, o maior prêmio depois de um título não é realmente o seu diploma. O conhecimento que ele agregou a você é que realmente vale o esforço.

Mas, título não é emprego e renda garantidos. Pode ajudar, mas não resolve. E, tendo a sua pesquisa pronta, a relevância da sua pesquisa poderá trazer frutos que não são apresentados durante o trabalho. E, relevância tem relação direta com a ciência, lógico, pois você está dando sua contribuição para o desenvolvimento da ciência - mas isso não resolve nada no seu emprego e renda.


O que pode realmente trazer resultado prático no mercado de trabalho é que a relevância da sua pesquisa pode ter relação direta com inovação!

Um dos segredos para o sucesso profissional é ter feito uma pesquisa para mestrado ou doutorado, que tenha impacto suficiente para colocá-lo no grupo dos especialistas em algum assunto que seja importante economicamente. Uma inovação, segundo os especialistas, é uma criação ou ideia que foi desenvolvida e colocada no mercado, ou seja, o resultado da sua pesquisa não passa de uma ideia ou invenção, sem nenhum valor econômico. E, essa sua criação só é considerada inovação quando é transformada em algo que gere valor. E, a métrica de valor é a econômica, não é uma opinião baseada em conceitos.

Os países desenvolvidos tem como métrica de avaliação de suas universidades não apenas as publicações em revistas científicas - isso não é tão importante. O que eles valorizam realmente é o quanto suas publicações impactam no mundo científico e a métrica é a quantidade de citações e publicações em revistas de alto impacto. O que está por trás disso é que o mundo dá valor para publicações de alto impacto porque elas geram inovação. O resultado é que as universidades mais bem avaliadas do mundo são as que possuem mais patentes, até porque para obter essas patentes foram produzidas pesquisas de alto impacto nas avaliações de artigos científicos.

Os pesquisadores mais famosos não são aqueles que tiveram as melhores ideias, são aqueles cujas ideias tiveram maior impacto em citações e produção de patentes. Já pensou nisso?


Inovação à brasileira


No caso do contexto científico brasileiro, a forma de que sua pesquisa de mestrado ou doutorado realmente tenham relevância pode estar diretamente ligada à pensar em produzir um registro de propriedade intelectual no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Há duas formas básicas de realizar isso dentro do contexto da sua pesquisa: registro de software ou pedido de patente. A grande questão é qual delas porque em todas as áreas de conhecimento uma ou as duas formas de proteger sua propriedade intelectual, além do direito autoral, podem ser possíveis.

Aí entra uma classificação, que pessoalmente eu não gosto, que é classificar as áreas do conhecimento em áreas duras ou outras. As áreas duras seriam aquelas ligadas a engenharias e no outro extremo seriam as ciências sociais. Nas primeiras, naturalmente uma patente seria mais adequada já que pode ser um processo ou produto sendo protegido, enquanto que nas ciências sociais, o natural é termos algum software associado.

Mas, vejamos quando se embarca um software em um microprocessador, o que se está produzindo? Um software ou um hardware? Na internet das coisas, quando um chip prevê que para você a falta de sorvete na sua geladeira é algo terrível e urgente, isso é um software ou o hardware inteligente.