Como errar fácil ao ensinar empreendedorismo na graduação

O objetivo central de fazer uma faculdade é emprego e renda, todo o resto é detalhe menos importante. Por isso, muitos cursos incluem disciplina ou toda uma linha interdisciplinar que aborda empreendedorismo. Mas, é fácil errar nisso e a consequência pode ser pior do que não ter feito nada. Entenda por que isso pode acontecer para evitar esse transtorno e a maneira de evitar errar ao ensinar empreendedorismo na graduação.


Significado do curso


O primeiro erro é fácil de evitar, quando se toma consciência que ele existe. Não se engane, o aluno quer aprender algo que tenha relação direta com seu objetivo. Quero dizer que, na prática, ele busca fazer dinheiro na forma de emprego e renda. Então, não adianta querer ensinar empreendedorismo como um conteúdo. Só faz sentido para ele se for algo que ele realmente consiga aplicar na sua vida profissional.


É isso que entendo como o significado do curso. Quando falamos sobre os jovens até os 17 anos, é fácil perceber como professores que a nossas ações para obter motivação e engajamento que é tão necessária vai diminuindo ao longo do tempo.


Não é errado dizer que a criança vai na escola porque os pais mandaram e o professor é quem deve promover a motivação e o engajamento. Knowles, no seu clássico, o aprendiz adulto (The Adult Learner) foi genial ao identificar uma diferença útil entre o jovem e o adulto. Ele coloca que o adulto vai à escola porque ele quer e sua motivação deve vir de si mesmo.


E, a única maneira de fazer o adulto realmente se envolver com um curso é que tenha um significado para ele pessoalmente. Por outro lado, não há dúvida que as cobranças sociais, familiares, e até econômicas fazem pressão para que ele vá para a escola. Entretanto, a sua motivação pessoal que irá provocar engajamento é a sua visão de que haverá efetivamente uma geração de renda e emprego ao final de uma jornada.


O que eu chamo de Empreendedorismo Autêntico é exatamente o ensino tão atrelado com o significado do curso para o aluno que ele não percebe que está aprendendo. Sua percepção é a de que ele está realmente construindo um negócio. Ele percebe que seu esforço está dando resultados possíveis no curto prazo.


Ensino autêntico significa coordenar o conteúdo com o plano de vida da pessoa. Sendo assim, o conteúdo do curso tem sentido no ensino do empreendedorismo porque é a alavanca para esse aprendizado com forte significado para o aluno.


Abrir empresa


O maior erro que um professor faz ao pensar em ensinar empreendedorismo é buscar algo sobre o assunto na internet. Aliás, esse é o mesmo caminho que os alunos fazem, vão procurar na internet. O resultado da busca por "abrir empresa" é uma lista enorme de formas de registrar a empresa. Mas, formalizar a empresa como uma pessoa jurídica deveria ser consequência de um negócio com potencial de sucesso e não o início de um negócio.

O que estamos querendo dizer é que não faz sentido abrir uma empresa formalizada antes de que o negócio como forma concreta de fazer dinheiro já tenha se provado. Então, não é possível achar que isto é ensinar empreendedorismo. Empreendedorismo não é fazer contrato social, registrar na junta comercial, obter o CNPJ, obter registro na prefeitura, alvará de funcionamento, e uma lista enorme de procedimentos. E, para piorar a situação, depois de gastar pelo menos mil reais, ficará com um CNPJ gerando gastos sem que tenha dado nenhum resultado. Enfim, esse é o caminho errado.


Empresário ou empreendedor


Um argumento que explica o quanto isso é errado é a diferença entre empresário e empreendedor. Se uma pessoa tem a intenção de abrir uma empresa para aferir um resultado econômico ou, como se diz na linguagem popular, tocar um negócio, isso é o caso real de um empresário. Não importa se é um grande empresário ou um pequeno empresário, ele apenas pretende administrar sua empresa.

Mas, se a pessoa pretende procurar e explorar oportunidades, aí temos uma pessoa com potencial empreendedor. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desenvolveu ao longo dos últimos 60 anos uma política de disseminação de empreendedorismo entre seus países membros. A compreensão geral é que um dos pilares do desenvolvimento de uma nação ocorre a partir da população empreendedora. Isso não significa abrir mão da sustentabilidade econômica, ambiental e social, ao contrário, o empreendedorismo responsável é o objeto desta concordância até entre nações com posicionamentos geopolíticos antagônicos.


Administração não é Empreendedorismo


A partir de 40 anos de experiência em administração e estratégia afirmo que Administração não é Empreendedorismo e nem o contrário. Enfim, em primeiro lugar a história apoia esta afirmação:


O Ensino de Empreendedorismo começou no século XVII, sendo que a apostila mais antiga desse curso é daquela época. A Companhia Holandesa das Índias (Orientais e Ocidentais) obteve um alvará para exploração comercial internacional para enfrentar a competição com os países ibéricos. Uma das atividades realizadas foi a formação de empreendedores que iam nas regiões de atuação para iniciar novos negócios desatrelados do controle do Estado. Essa postura empreendedora caracterizou, inclusive, as ocupações holandesas no Brasil, que não tinham o caráter de estabelecimento de colônias da mesma forma que faziam outros países colonialistas, mas o de construção de uma base comercial. Isso é claramente percebido na cidade de Recife. Conta a história que os governadores holandeses preferiam abandonar as cidades dominadas sem batalhas do que ver patrimônios sendo destruídos, mas não sei o suficiente para afirmar que isso é a verdade absoluta.


Por outro lado, a Administração nasce como ciência a partir da década de 1910, quando um engenheiro (Taylor) escreveu fundamentos do que chamou de Administração Científica. Seu objetivo foi o de estabelecer tempos e métodos para aumentar a produtividade. Sendo assim, é possível admitir que a Administração é uma área derivada da Engenharia de Produção. Então, é coerente que o Instituto de Administração tenha sido fundado pelos professores Zacarelli e Rui Leme, este último diretor da Politécnica, em 1946. Hoje este Instituto é a FEA, da Universidade de São Paulo.


Conclui-se, pelos fatos, que se o Empreendedorismo tem quase 400 anos de história, a Administração é uma área que mal passou do seu primeiro século de existência. Considerando tudo o que estudei sobre essas duas áreas, não posso afirmar que nenhuma das duas seja ciência, embora a Administração queira se posicionar como ciência, mas isso é outra discussão que não cabe nesse texto.


Ensinar empreendedorismo por meio de Metodologias Ativas


Observamos que o ensino de Empreendedorismo desde o século XVII já era altamente focado em aprender-fazendo. Isso pode ser sugerido porque os aprendizes embarcavam nos navios e iam até onde iriam trabalhar enquanto aprendiam, ainda durante a viagem, os princípios que norteavam as operações das companhias holandesas. Ou seja, os aprendizes eram ensinados a pensar como empreendedores para buscar oportunidades de negócio. Assim, não era uma simples transferência de conteúdo, mas uma mudança de atitudes. Enfim, essa é uma das funções que entendo que tem a Educação.

Atualmente, no ensino de Administração é utilizado um modelo de simulação chamado jogo de empresas. Nós mesmos possuímos o nosso jogo de empresas que está em uso desde 1983 e, na versão atual, completou 15 anos de uso intenso por alunos em todo o Brasil e foi usado nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Entretanto, mesmo sendo nosso produto mais conhecido, não recomendamos esse tipo de simulador para ensino de Empreendedorismo porque ele serve para consolidar conhecimento no final do curso de administração ou para motivar alunos ingressantes. É muito usado no final de MBAs para dar a conexão entre teoria e a realidade, mas o foco está em limitar-se ao que está na teoria e conteúdo dado no currículo.

A explicação para minha não-recomendação é simples e se baseia exatamente na definição do que se tratam esses jogos de empresas: simulação do ambiente de empresas em que os alunos disputam de forma gamificada pelo melhor desempenho em um tipo de negócio pré-definido. Aí está o motivo: ele serve para aprender e consolidar o conhecimento de técnicas e teorias de administração. Assim, ele não incentiva a busca por novas oportunidades de negócio porque o simulador poderia tornar-se muito complexo e de difícil compreensão. Adicionalmente, o fato de ser uma empresa em um tipo de negócio específico tira toda a possibilidade do aluno ter criatividade em negócios adjacentes. Assim, a criatividade empreendedora dos alunos é limitada.

O ideal para ensinar Empreendedorismo é usar um simulador que efetivamente aplique metodologias ativas, independente de ser gamificado ou não. Afinal, nem toda metodologia ativa precisa ser gamificada. Ou seja, deve ser um simulador em que o aluno possa testar suas ideias usando o conhecimento adquirido e não ser conduzido para conclusões que estão de acordo com as teorias de Administração do século passado. Por exemplo, conhecer as teorias de Kotler no Marketing vale para quem precisa aprender administração e não pode ignorar que isso existe, mas não é uma condição necessária para ser empreendedor. Ao contrário, tentar adotar as ideias de Kotler integralmente é o caminho para o fracasso empresarial no mundo atual.

Adicionalmente, este simulador deve conter o uso das ferramentas atualmente usadas e consolidadas no meio empreendedor e não necessariamente as ferramentas usadas no meio empresarial. Resumindo, estamos falando em usar o Business Model Canvas, Mapa de Empatia, Jobs to be done, e um punhado de outras novas estruturas que foram desenvolvidas a partir das startups dos maiores produtores de empresas unicórnios do mundo.



Empreendedorismo é mais ciência do que Administração


Apenas para pontuar essa questão, as unicórnios são empresas que saíram de uma ideia e atingiram o valor de 1 bilhão de dólares. Não há teoria anterior que explique esses milagres empresariais a não ser essas novas estruturas.

Entretanto, há que diga que esses modelos não são científicos, especialmente os defensores de que a Administração é uma ciência. Pois bem, se a Administração é uma ciência, porque está sendo tão difícil incluir nos currículos dos cursos as disciplinas de empreendedorismo e inovação?

Será que é porque a Administração teve uma sequência de cerca de 40 consultores que foram adotados como expoentes da administração? Se observarmos todos eles de perto, notaremos que os seus livros clássicos são resultado de pesquisas em indústrias a partir do que fizeram suas novas abordagens da Administração.

E, é difícil aceitar que um grupo de investidores tenha desenvolvido métodos de fazer ideias se transformarem em resultados financeiros inimagináveis em forma sequencial.

Mas, se a ciência é algo que defende que um experimento científico é algo que se consegue reproduzir, então o que se faz com startups é a prova de melhor ciência que existe na área de negócios: eles reproduzem o processo ideia-resultado de forma serial sem se preocupar em teoria, apenas se ocupando de melhorar cada vez mais o método do sucesso.


O modo errado de ensinar empreendedorismo emburrece os alunos


Se os métodos de Empreendedorismo moderno estão associados a startups e estas se baseiam em como transformar uma ideia em um negócio de sucesso podemos concluir que se o aluno estuda empreendedorismo usando um negócio que não é a sua ideia estamos impedindo o aluno de desenvolver raciocínio crítico.

Entendo como emburrecer o ato de ensinar algo que ele não conseguirá reproduzir em um caso concreto. Traduzindo isso para a linguagem didática, seria o mesmo que ensinar algo de forma que o aluno não consiga generalizar o conhecimento para outros contextos. A inteligência nasce da capacidade de generalização e isso só é possível quando o aluno internaliza o conhecimento e faz dele uma parte de si mesmo. Por isso, aprender empreendedorismo usando um jogo de empresas é uma boa forma de ensinar conhecimento teórico, mas uma péssima forma de aprender empreendedorismo.


Conclusão: usar os modelos de inovação e empreendedorismo


Para realmente conseguir obter resultados, é preciso saber antes o que se pretende. Já disse alguém que quando não se tem um objetivo, qualquer destino serve. Então, a pergunta que define nossa conclusão é: para que ensinar emprendedorismo? Sem pretender esgotar as possíveis respostas proponho as seguintes ideias:

  • Para que o curso passe a ter significado para o aluno além da obtenção de um diploma

  • Para entregar egressos melhores profissionais ao mercado de trabalho

  • Para transformar a minha Instituição de Ensino em uma escola de alto nível

  • (sugira mais alguma ideia sua nos comentários, é bem-vindo e incluirei aqui sua colaboração)

E, para isso, minha proposta é usar os modelos de inovação adotados pelas startups. O problema é que para quem não é uma startup ou não está vivenciando o contexto dos ecossistemas de inovação, essas ferramentas são absolutamente um mistério. É difícil aprender como ensinar usando essa nova caixa de ferramentas, eu sei porque passei por isso. E, posso afirmar que só aprendi porque abri minha startup pois ainda não existe uma conexão direta entre didática para adultos (andragogia) e empreendedorismo.


Mas, a boa notícia é que já existem implantações parciais disso e você não precisa de sistema para isso. Mas, a minha startup tem um Ambiente Virtual de Aprenizagem Vivencial (AVAv) de ensino de empreendedorismo que usa exatamente essas técnicas. Faça contato comigo que explico melhor ou clique aqui para ouvir um pouco mais.



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