Administrar ou empreender, há conflito nisso?

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Administrar ou empreender, há conflito nisso?

Atualizado: 30 de Nov de 2019


A competitividade do mercado não é mais o único motivo porque empreendedorismo e inovação são importantes. Hoje, queremos que nosso empregado tenha as características de um empreendedor e seja inovador e, agora, falar em “vestir a camisa” não significa mais se dedicar ao trabalho simplesmente. Como empresários queremos que nossos empregados realmente colaborem para que o conhecimento coletivo interno da empresa vá além e gere mais resultados que, sem dúvida, irão aumentar o valor do empregado e nos dar condições para remunerá-lo melhor. Ele passa a entregar mais valor com seu trabalho e podemos pagar por mais valor.



Da mesma forma, com 13 milhões de desempregados no Brasil (2018) somados a 1 milhão de recém-formados em universidades, não é possível acreditar que a criação de vagas vai dar ocupação formal para toda essa gente, qualificada ou não. A solução para quem está se formando ou está sem uma ocupação formal é a auto geração de oportunidades. Aí, o empreendedorismo é uma solução muito plausível.


A inovação é algo um pouco além do empreendedorismo, mas não é possível existir sem esse último. Ou seja, para se ter inovação é necessário que alguém tenha tomado a decisão de ir além da invenção. Além da simples chamada de investidores com uma ideia mirabolante, mas que não seja viável economicamente.


Para ser empreendedor, é necessário que a pessoa tenha se desenvolvido com características especiais que irão induzir ao sucesso. São poucas, mas difíceis de adquirir com cursos, leituras, aulas, ou de qualquer maneira que não faça a internalização dessas competências de forma permanente e que sejam acionadas sem que a pessoa perceba que está fazendo uso delas. Esse é o tipo de conhecimento em que se sabe aquilo, mas não se sabe que sabe; apenas se aplica corretamente em cada situação.


A palavra entrepreneur é francesa e é muitas vezes traduzida erradamente como empresário. Isso é um problema porque em português, empresário é quem tem uma empresa, enquanto que empreendedor é quem tem um empreendimento. A empresa é um negócio, o empreendimento é um processo – essa distinção é minha, mas explica muito do ponto de vista que a empresa é um sistema enquanto que o empreendimento é um processo.


Olhando o empreendimento como um processo, o empreendedor deve ter características que o deixam livre de seguir exatamente o mesmo objetivo como acontece na empresa. A empresa não pode e nem deve modificar sua relação de missão, visão, objetivos, valores. O empreendimento pode e deve modificar sua missão, visão, objetivos e, até um pouco, seus valores para obter resultados da visão do empreendedor. O que está por trás disso é que ao criar uma empresa, o fundador coloca todo o alicerce de missão, visão, valores e objetivo na empresa e ela irá seguir esse modelo, mesmo com revisões pequenas. No caso do empreendimento, o fundador poderá, a qualquer momento, alterar todo o modelo dessa relação, alterando até mesmo o produto, processo e pessoas sem nenhum receio.


Na empresa, a ciência da Administração faz muito sentido. O livro Princípios da Administração Científica, da década de 1910, acompanhada dos estudos de Fayol fundamentaram a Ciência da Administração, que se desenvolveu muito até os dias de hoje. Entretanto, fundamentalmente, essa ciência se baseia em ferramentas e procedimentos para planejar, organizar, dirigir e controlar a empresa.


No empreendimento, é possível usar todas as técnicas da Administração. Mas sua história começa nos anos 1600, quando foi escrito o primeiro livro para o ensino de empreendedorismo. Isso não é considerado parte da Administração porque não é um livro das Ciências, é um livro de treinamento. O problema, que eu vejo, é que esse livro está no contexto da explosão comercial dessa época e que levou a cidade-estado de Amsterdam a ser uma das cidades mais ricas do mundo naquele tempo. Foi quando tentaram estabelecer inúmeras colônias, inclusive no Brasil e todas com muito sucesso comercial, embora com nenhum sucesso nos empreendimentos da guerra. Os holandeses sempre preferiram entregar as cidades do que lutar por elas – possivelmente, porque o prejuízo é menor ao se entregar uma cidade do que iniciar uma guerra para proteger algo que pode ser replicado em outro lugar, ou melhor, o comércio sobrevive, mesmo não sendo os donos dos locais.


Assim, empreender também é administrar, mas não necessariamente administrar é empreender.

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